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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Enigmas da MPB



Por Bia Triz 

Polêmicas biográficas à parte, ninguém pode negar a maestria de Chico como compositor. Mas convenhamos que nem sempre é possível compreender certas letras. É provável que o verso de "Bye bye, Brasil", por exemplo, guarde em si algum significado especial. Bom mesmo é ter um caminhão?. Será? Não sei. Mas imagino que esse trecho da canção deva fazer um grande sucesso com o pessoal da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sexo, MPB e Pasquale


Por Bia Triz

Em suas 640 páginas, o livro História Sexual da MPB, de Rodrigo Faour, conta o que promete no título. Num dos sete capítulos, 'O amor na MPB', o autor discorre sobre “o amor mal-resolvido que permeou a maior parte das letras românticas de nossa música até os anos 60”, diz a sinopse divulgada por livrarias e congêneres. Ainda não li essa espécie de Barsa da sacanagem musical, mas a cada dia me anima mais a ideia de catalogar novas fases do cancioneiro nacional para, inspirada em Faour, escrever algo como História Gramatical da MPB. Senão, vejamos: houve uma fase em que os cantores adotaram um estilo digamos separador de sílabas de interpretação. Djavan foi um deles: “Só sei vi-ver, se for por vo-cê” (Oceano). Quem inclusive resgatou essa onda foi a cantora (?) Anita com o seu “pre-pa-ra que a-go-ra”. Mas o gênero músico-gramatical que vem ganhando cada vez mais adeptos e dividendos é a MPB Figuras de Linguagem. No caso da onomatopeia, seus maiores hits são “Eu quero tchu, eu quero tcha” e Tchê tcherere tchê tchê, Tcherere tchê tchê, Tcherere tchê tchê", do professor Gustavo Lima. Tem também as composições com trechos que são puro pleonasmo. O Grammy da redundância vai para Aquarela do Brasil com “esse coqueiro que dá coco”. Há músicas cujas letras pedem, clamam para que alguém em alguma mesa de bar do país lhes batize como o melô de alguma coisa. Quem já fez endoscopia à moda antiga saberá do que estou falando: aquele momento pré-apagão depois de tomar o Valium... “Quando gira o mundo e alguém chega ao fundo de um ser humano” é a melô do exame endoscópico. Temos ainda os clássicos “aquela nuvem que passa lá em cima sou eu”, conhecido como melô do louco ou pós-LSD e o tradicional “quero ver você não chorar, não olhar pra trás nem se arrepender do que faz”. Esse último é o melô do, enfim, você sabe. Não sabe? Nesse caso, pelo inusitado, você merece entrar para os anais, se é que você me entende.

sábado, 28 de setembro de 2013

Ouro de tolo

Por Bia Triz

Talvez Raul tenha razão quando diz que ‘ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez’.  De fato, viver um amor – aquele com a maiúsculo – é uma experiência que pode dificultar para o resto da vida a possibilidade de reeditar aquela felicidade extremada, altiva, imune a qualquer centelha das tristezas ordinárias, das preocupações comezinhas, do cotidiano prosaico dos mortais sem amor. Ouro de tolo?. É o mesmo Raulzito, metamorfose ambulante, quem aconselha: ‘Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida: tente outra vez’. Melhor que ‘ficar com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar’. Gonzaguinha concorda e sugere: “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”. Bom seria que ambos ainda estivessem por aqui, numa sociedade alternativa, com mais amores e menos ouro de tolo.

domingo, 15 de setembro de 2013

Amor na rede


Por Bia Triz

Por mais que computadores, sistemas e redes sociais tenham evoluído, eles ainda parecem estar longe de alcançar a acuidade que nós, humanos, temos de perceber as relações afetivas em todas as suas minúcias. No Facebook, por exemplo, ou você está casado, ou num relacionamento sério com alguém ou, digamos, prefere não comentar. Mas há tantas possibilidades de ‘status’ quando se fala de relação amorosa. Bem que o FB poderia adotar uma espécie de classificação musical para definir o estágio do relacionamento. Status: “O meu amor é apenas o maior, o mais bonito, e por que não infinito?”, para os muitos apaixonados. Para os casais mais modernos, haveria o “Então tá combinado, é tudo somente sexo e amizade”. Os mais objetivos selecionariam a alternativa “Agradeça ao senhor, você tem o amor que merece”. Teríamos também aquelas indiretas básicas, do tipo “Eu levo a sério, mas você disfarça” e “Olha pra mim, não faz assim, não vai lá não”. Quando as coisas não estivessem bem, o usuário poderia mandar um recadinho para o amor mudando o status para “E qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d’água”. Em casos extremos, a rede social colocaria a nosso dispor um “Me larga, não enche”. Enfim, as possibilidades de status personalizados na música brasileira são inúmeras. Qual seria o meu predileto? “Em um relacionamento sério com Chico Buarque”.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Enem da Axé Music

Por Bia Triz

Como anda seu conhecimento sobre as coreografias e letras que compõem o rico universo da Axé Music? Para testá-los agora, basta responder as questões abaixo. Aproveite para revisar alguns conceitos sobre a anatomia humana. Muitos compositores de axé costumam citar joelhos, glúteos, pernas, braços etc. E mais: eles adoram sugerir exercícios, sempre no diminutivo: dá uma abaixadinha, uma paradinha, uma voltinha. Fica a dica. Agora, bota a mão no mouse, dá uma clicadinha, marca-marca gostoso a sua respostinha, agora marca, marca-marca, mainha... Ops!.Perdão, foi um lapso. Bom teste! 


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pro dia nascer feliz

Numa segunda-feira atípica, pós-feriadão, nada melhor do que lembrar de um acontecimento tão cotidiano e tão majestoso. 


sábado, 29 de outubro de 2011

MPB didática

“Dinheiro é um pedaço de papel, um pedaço de papel é um dinheiro
Dinheiro é um pedaço de papel, pode até remendar com durex
Mas não é todo mundo que aceita o que não se quer melhor não comprar
O que não se quer mais, melhor jogar fora do que guardar em casa
Dinheiro tem valor quando se gasta, um pedaço de papel é um pedaço de papel
Dinheiro não se leva para o céu”
“Dinheiro” – Arnaldo Antunes

“Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã”
“Diariamente” – Marisa Monte



“Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance”

“Do it” – Lenine


“Quem disse que cabelo não sente
Quem disse que cabelo não gosta de pente
Cabelo quando cresce é tempo
Cabelo embaraçado é vento
Cabelo vem lá de dentro”
“Cabelo” – Jorge Ben Jor

domingo, 11 de setembro de 2011

O lado quente da MPB


“Abro com as mãos, te deixo olhar
Te levo pra dentro devagar
Sempre venho aqui nesse lugar
Tomar xerez da tua boca
...
Onde a sua mão está agora
a minha você sabe bem
Quanto mais tempo demora
mais violento vem”


Derretendo satélites – Herbert Viana e Paula Toller
“Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério”
Elegia – Caetano Veloso
“A tua boca anda oca
Da minha língua
da minha língua
A minha língua anda à míngua
Sem tua boca
sem tua boca”
A cor do desejo – Ney Matogrosso

“Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor”

Condinome Beija-flor - Cazuza


“Amando noites afora
Fazendo a cama sobre os jornais
Um pouco jogados fora
Um pouco sábios demais
Esparramados no mundo
Molhamos o mundo com delícias
As nossas peles retintas
De notícias”

Amando sobre os jornais – Chico Buarque

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MPB Irada


Nem só de boas intenções e sentimentos nobres vive a MPB. E, convenhamos: quente ou fria, a vingança é uma iguaria deliciosa em certos momentos da vida. Hum, deu uma fome!...

Bendita ira de Lupicínio Rodrigues

“Eu gostei tanto
Tanto quando me contaram
Que lhe contaram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar
(...)
Você há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar”

A vingança climática de Fernanda Porto e DJ Patife (codinome perfeito!)

“Mas quando eu comecei a gostar de você
Você me abandonou
Agora chora que é bom, chora que eu quero ver
Vai começar a chover
Só eu tenho um guarda chuva
Adivinha quem vai se molhar?
Quem vai se molhar é você
Também pode chorar, que eu não volto atrás
Pois no meu guarda-chuva não te levo mais”

Até nisso, ele é genial....Chico Buarque

“Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
(...)
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.

Quero ver como suporta me ver tão feliz"