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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Selvagem entre árvores e esquecimentos


Não sei sentir, não sei ser humano,
Não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens,
Meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido.

Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.

Amei e odiei como toda gente.
Mas para toda gente isso foi normal e instintivo.
Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.

Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
De sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas
E ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.

* Trecho de "Passagem das Horas", de Álvaro de Campos

sábado, 19 de outubro de 2013

Vinícius de Moraes


Por Bia Triz

Haveremos de concordar que não existe uma frase ou um conjunto delas capaz de traduzir à perfeição o gênio de Vinícius de Moraes. Mas nada melhor que versos seus para ilustrar a singularidade da obra e a genialidade do poetinha. E um dos trechos mais lindos de Monólogo de Orfeu revelam a maestria do poeta para falar de amor:

 “Ah, minha Eurídice / Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim. Sem ti, sou nada.
Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!

A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga mais querida!
Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada!”


Na língua portuguesa, ninguém foi mais feliz do que o poetinha ao homenagear a amizade, nos versos de Amigos:

“Se alguma coisa me consome / e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite  ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,  todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os”.

A obra de Vinícius é a 'coisa mais linda, mais cheia de graça' que a gente tem o privilégio de ver passar, 'num doce balanço a caminho do mar'. E fica ainda mais linda por causa do amor.

sábado, 14 de setembro de 2013

Meu mundo sem mim


Por Bice Triz 

Um dos mais belos poemas que este Blog já publicou começa assim: "Consigo imaginar um mundo sem cores / Só a sua reunião e ausência, o preto e o branco / mas não consigo imaginar um mundo sem forma". A íntegra do poema "Imagens" está em Poesia por um triz.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013