segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Selvagem entre árvores e esquecimentos


Não sei sentir, não sei ser humano,
Não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens,
Meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido.

Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.

Amei e odiei como toda gente.
Mas para toda gente isso foi normal e instintivo.
Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.

Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
De sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas
E ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.

* Trecho de "Passagem das Horas", de Álvaro de Campos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Notícias de última


Por Bia Triz 

A presidente Dilma Rousseff abriu o jogo: lamenta não conseguir quebrar a rotina e arranjar uma brecha na agenda presidencial para namorar. Em entrevista ao grupo RBS, do Rio Grande do Sul, em Brasília, confessou: “Seria muito bom fugir para namorar”. Considerando que, segundo ela, isso não tem sido possível, e considerando que nunca na história desse país a presidenta esteve tão 'sorridenta', fica a pergunta: será que a chefe do Executivo namora um dos seus interlocutores?  Ou será outra a fonte de alegria da petista? Obama, meu filho, libera aí esse relatório pra a gente!


O outdoor traz o anúncio sobre o show do Roupa Nova. Em destaque, a informação de que será com a ‘formação original’ da banda. Em outras palavras, de novo mesmo, só a roupa.

E agora o vocalista do Roupa Nova canta “Você lembra, lembra daquele tempo?...”  e o tecladista responde: “pô, velho, não lembro, não...”


Em Minas Gerais, algumas prostitutas vão aceitar pagamento por meio de cartões de crédito e débito. “A novidade, segundo a presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), Cida Vieira, somente foi possível graças a uma parceria com a Caixa Econômica Federal”, noticia o G1. Falta só o pessoal do marketing da CEF escolher um nome para o programa, sem trocadilhos. Os mais cotados são o Master Rapidinha, o Visa Sex e o I feel so good Card.


A polêmica sobre as biografias chegou à capital federal e para a surpresa de muita gente, o deputado Tiririca defendeu a necessidade de autorização prévia para a divulgação de sua biografia.  Ele quer no mínimo dois anos para avaliar o material. – Preciso de tempo para ler, teria dito o parlamentar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

De Monalisa a Witte Fibe

Assim como na literatura, na arte de rir, nós não podemos deixar de reverenciar os clássicos. E que nunca nos esqueçamos: se for autêntico, o riso será sempre inédito.


Hoje é dia de...


Por Bia Triz

Hoje, 6 de novembro, é o Dia do Riso. De todos os clichês que são repetidos em datas comemorativas, o mais irritante e hipócrita é “na verdade, todo dia deveria ser o dia dos”... pais, das mães, dos filhos das mães etc. Irrita porque desvaloriza a tal data que, afinal, foi criada para fazer uma deferência especial ao homenageado do dia. Hipócrita porque a gente sabe que não dá para homenagear ninguém nem nada todo dia. Nem o amor da vida da gente é interessante, apaixonante nem tampouco ‘homenageável’ todos os dias. Ok, para tudo ou quase tudo há exceção. Mas esse não é o caso do lugar-comum em questão. Apesar dos indiscutíveis benefícios físicos, psíquicos etc do riso, nem no dia dele haveríamos de concordar que “todo dia deveria ser o dia do riso”. Muito pelo contrário. O bom do riso é que ele é essencialmente subversivo. Entra sem pedir, chega sem avisar, se espalha à revelia de qualquer tipo de controle. O riso é senhor do seu calendário e cria quando quer o dia e a hora em que deseja ser homenageado. A nós cabe obedecer, sorrindo.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Notícias de última


Por Bia Triz

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, foi assaltado, em Brasília. Os dois homens armados levaram cerca de R$ 1 mil. A polícia ainda não tem pistas sobre o partido, digo, o paradeiro dos meliantes.

Por falar em político roubado, vem da Bahia outra notícia do gênero, mas com um quê de piada pronta. Bandidos tomaram de assalto o carro do secretário municipal de Transporte, o ex-deputado federal José Carlos Aleluia. Mas a polícia baiana não ficou parada (sacou o trocadilho?) e três dias depois localizou o carango.

“Opa. Levei um bom choque”. A autora da frase é a presidente Dilma, que tomou um choque elétrico enquanto discursava durante a inauguração da Via Expressa, em Salvador. “Desapega, Dilma”, teria dito Edson Lobão, atual ministro das Minas e Energia, pasta que já foi comandada por Dilma Rousseff. A dúvida é se Lobão se referia ao microfone ou ao ex-presidente Lula.

Ainda sobre o choque de Dilma. A corrente otimista do PT minimizou o fato: - Pior seria encontrar Marina Silva vestida de baiana, com um ebó na mão e o registro do Rede Sustentabilidade na outra.

sábado, 2 de novembro de 2013

Freddy Krueger mora ao lado


Por Bia Triz

Já percebeu como quase todos os filmes de terror se passam numa casa? No campo, no mar, nas montanhas, na cidade: sempre uma casa. “A casa da colina” é um deles. Só sei o título. “O quarto do pânico” pode até ser classificado como suspense apenas, mas no meu dicionário é terror puro e aplicado porque reúne o tripé vilões, claustrofobia e Jodie Foster.  Se chamassem Anthony Hopkins para o elenco, a ONU teria que acionar as forças internacionais de paz. O fato é que quando o terror é coletivo, ele perde a força dramática que tem quando sabemos quem são individualmente ou alvos dos nossos malvados aterrorizantes favoritos. Nas cenas de sucessos como Homem Aranha, quando um de seus arqui-inimigos o persegue em praça pública, o que interessa da ação é o embate entre Spider Man e o adversário. Perdemos de vista o pânico com impressão digital da mocinha que está vulnerável entre a multidão, do vovô que perdeu os óculos na confusão, da criança cuja mão se desprendeu dos dedos da mãe. Terror é doméstico. Não só porque encurrala os aterrorizados, mas porque aciona em nós, espectadores, a mais terrível sensação de vulnerabilidade que alguém pode ter: a de que nem em casa estamos a salvo. #aiquemedo

Sem estrada, nada feito

Por Bia Triz

A história é real e aconteceu em 2011, em Barbacoas, num pequeno vilarejo da Colômbia. Para pressionar as autoridades a fazerem melhorias na única rodovia que interliga o lugar ao resto do país, mulheres criaram o Movimento das Pernas Cruzadas e se recusaram a ter relações sexuais com seus companheiros enquanto a tal rodovia não fosse melhorada. Foram 109 dias de jejum, mas nada foi resolvido, conta a Superinteressante, ao informar que “por isso, este ano o movimento voltou com força”. Dessa vez, os resultados já começaram a aparecer. “Segundo John Otis, jornalista de Bogotá, os engenheiros responsáveis pela obra anunciaram o início da reforma: até escavadeiras foram vistas no local”, relata a revista. Há rumores de que, dessa vez, o Movimento Pernas Cruzadas ganhou reforço de outros dois importantes grupos, como o Movimento Boca Fechada e o Mãos Entrelaçadas.

É tudo verdade


Por Bia Triz

Antes de perguntar a alguém "isso é verdade?", confira que horas são. Pesquisadores da Universidade Harvard descobriram que pessoas falam mais mentiras no turno vespertino, noticia a revista Superinteressante. Eles fizeram um texto com voluntários que consistia no seguinte: “numa tela de computador apareciam dois quadros, e eles tinham de dizer em qual dos dois havia mais pontinhos. Só que eles não seriam premiados pela resposta correta – e sim pelo número de vezes que escolhiam o lado direito da tela. Todos fizeram a brincadeira duas vezes: entre as 8h e 12h e entre as 12h e 18h. E todos eles tendiam a mentir mais no período da tarde (por mais que fosse evidente qual era a resposta certa, eles fingiam acreditar que no lado direito havia mais pontos)”. A explicação para esse jeito-Pinóquio-de-ser no turno da tarde é metabólica, digamos. “Segundo os cientistas, nosso autocontrole diminui ao longo do dia – e junto com ele, lá se vai também nossa capacidade de evitar mentiras ou trapacear”. Curioso que as sessões legislativas, nas câmaras federal e municipais, assembleias legislativas e Senado são majoritariamente vespertinas. Mera coincidência. A pesquisa mencionada pela Super revelou que o horário “só não fez diferença entre os desonestos: eles mentiam sempre, independentemente do relógio”. Não é o caso dos nossos parlamentares. A propósito, redigi esse texto ontem à tarde.